16.11.09

sei que vou morrer,
todos vamos,
na solitude da morte,
que seja realmente eterna, 
paraíso,
tenho remorso em pensar,
tudo é ilusão,
nem meu corpo é real,
real a alma,
o que vem de dentro,
vivemos uma peça,
grande cenário foi montado para nós simples mortais,
hipócritas, escravos, políticos, bestas, insuportáveis,
sentir-se acima...
mas acima de que?
para que?
para quem?
cadê o sentido dessa grande desilusão?
cadê meu espírito tão poderoso?
cadê minha alma?
cadê as respostas?
quem quer saber?
bendita alma que viaja enquanto durmo!
no sonho, nos sonhos, eu posso voar,
posso ser tudo o que quiser,
posso até encontrar quem já morreu,
falo com Deus e com o Diabo,
pulo do penhasco sem me machucar,
faço amor todos os dias,
vivo sem dinheiro e sem melancolia,
porém as vezes tenho pesadelos,
onde tudo é obscuro, sinistro,
morro e vou para o inferno,
vejo sangue, vejo florês secas e animais mortos,
perco a alma, fico com medo de não voltar!
vivendo ou morrendo,
nada somos,
somos o que pensamos ser,
mas não pensamos nada,
não criamos,
só copiamos o tempo todo!
merda de sistema,
vou virar índio, cobra, onça,
vou ser canibal, árvore, lagarto,
quero gritar bem alto,
subir na montanha,
me jogar, virar pó,

mato, evaporar,
nunca mais pensar,
pensar para que?
para ficar louca?
preciso de espaço,
preciso de ar,
preciso de horizonte,
preciso ser gota d'água,
me perder numa cachoeira,
não sou nada mesmo,
sou apenas ilusão de óptica...
sou vagalume de noite
e perco o brilho de dia!

(heretoyama)

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