da colônia bom dia, até o lugar mais distante de lá, das rodas de chimarrão até as rodas de bamba, de ciranda, de samba... numa viagem de pensamentos vagos e boas conversas fiadas, troca de boas e más idéias, tudo é possível neste espaço, onde o mais importante é o menos importante.
17.12.10
26.11.10
leveza das crianças
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| Foto: Sol |
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| Foto: Sol |
Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.
(Cecília Meireles)
(Cecília Meireles)
18.9.10
lição para a sociedade civilizada
Durante a longa permanência entre os índios, a única contribuição que talvez lhes tenhamos dado, foi mostrar aos civilizados que o índio brasileiro não é um selvagem agressivo e destruidor. Nós trouxemos a notícia de que eles constituem uma sociedade tranqüila, alegre. Ali, ninguém manda em ninguém. O velho é dono da história; o índio, dono da aldeia e a criança, dona do mundo. Nesse tempo todo em que vivemos perto deles, nunca assistimos a uma discussão, a uma desavença na aldeia ou a uma briga de marido e mulher. Se a criança faz alguma coisa que o pai desaprova, ele não a repreende. Apenas a tira de onde está e a leva para outro lugar. É admirável, também, o respeito que os pequenos têm pela natureza, valor que adquirem observando o comportamento dos mais velhos.
O chefe, ou cacique, é o líder cultural da aldeia. Ele goza de muitas prerrogativas, mas deve observar uma série de restrições: não pode falar alto, nem rir ou fazer gestos bruscos, por exemplo. Sua função não é impor regulamentos nem determinar tarefas, mas estabelecer uma ligação entre a comunidade e os pajés que se reúnem todas as tardes para conversar, fumar e deliberar sobre o bom andamento da tribo. O cacique não participa da conversa. Apenas ouve o que está sendo dito e na manhã seguinte, segurando o arco numa das mãos, dirige-se ao povo que se junta diante de sua maloca para escutar as recomendações dos pajés e, em seguida, colocá-las em prática. Supostamente os pajés nunca erram porque não têm outra preocupação além de ficar zelando pelo bem-estar da comunidade.
Quando colocamos a possibilidade do diálogo entre os diferentes povos e culturas como horizonte a ser alcançado, precisamos logo esclarecer que ele pressupõe que os povos estejam fortalecidos e seguros (quanto à questão de suas terras; quanto à sua identidade étnica e nas suas relações com ‘os outros’) (DIAS DA SILVA, 1997b, p.61).
5.4.10
26.3.10
24.3.10
19.3.10
lamentos
Estou aqui para lamentar, desabafar, explodir...
Tanta hipocrisia, tanta ganancia e tanta mentira!
Estou vendo o caminho da destruição do planeta! Choro por dentro. Choro que doí, fere a alma.
Enquanto tivermos pessoas ignorantes no pior sentido da palavra no poder, íremos penar como simples seres que somos.
Uma árvore quando cai, lá se vai um pedaço de mim, dos meus ideiais, das minhas crenças e razões de viver... somos inocentes, ingênuos e indefesos contra o mal do dinheiro e da corrupção, os que podem se aproveitam e nos escravizam, enxergamos e somos indefesos sem união.
Me sinto com as mãos atadas contra tanta injustiça... parece que somos incapazes... de repente nos vemos numa conspiração que mais parece ficção, somos podados e manípulados.
Sou e serei até o fim contra todos os projetos mega-faraonicos para acelerar o crescimento causando injustiças, desrespeitando o ser-humano, desrespeitando os animais, as plantas que poderiam nos curar de muitos males, desrespeitando a vida, a nossa mãe Natureza. Há quem prefira ir à igrejas buscar um Deus que nos proteja. Onde encontro o meu Deus? Está tão a nossa vista que é díficil perceber...
Salve a Natureza!
Salve o Xingu!
Para ter um pouco de paz de espírito gosto de ler Manoel de Barros, ilustríssimo poeta!
''A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre as portas, que puxa as válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas''.
(Manoel de Barros)
18.3.10
15.3.10
9.2.10
roda
Vocês devem ter notado que tudo o que o índio faz movimenta-se em círculo ou tem forma de círculo. O Poder do Mundo trabalha sempre de forma circular e tudo tende a ter a perfeição do círculo. O céu é redondo e a terra também, bem como as estrelas. O vento rodopia e os pássaros constroem seus ninhos de forma circular; as leis deles são semelhantes às nossas. Até mesmos as estações seguem uma grande roda nas suas mudanças, voltando sempre ao ponto de partida. A vida do homem é um círculo: de uma infância à outra. E assim é em tudo onde o poder se movimenta. Alce Negro (1863-1950) Xamã Oglala Sioux
os sete monstros
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| Foto: Sol |
De acordo com uma das versões do mito, ele deixa a floresta e percorre as vilas procurando por crianças que não descansam durante a sesta. Embora seja naturalmente invisível, ele se mostra a essas crianças e aquelas que vêem seu cajado caem em transe ou ficam catalépticas. Algumas versões dizem que essas crianças são levadas para um local secreto da floresta, onde brincam até o fim da sesta, quando recebem um beijo mágico que as devolve a suas camas, sem memória da experiência.
Outras são menos claras, onde as crianças são transformadas em feras ou entregues ao seu irmão Ao Ao, uma criatura canibal que se alimenta delas.
É descrito ainda como sendo canibal devorador de gente. Embora sua descrição física seja claramente inumana, é meio humana por nascimento, então o termo canibal se aplicaria. De acordo com a maioria das versões do mito, quando localiza uma vítima para sua próxima refeição, persegue o infeliz humano por qualquer distância ou em qualquer território, não parando até conseguir sua refeição.
Se a presa tentar escapar subindo em uma árvore, o Ao Ao circundará a mesma, uivando incessantemente e cavando as raízes até a árvore cair. De acordo com o mito, a única árvore segura para escapar seria a palmeira, que conteria algum poder contra o Ao Ao, e se a vítima conseguisse subir em uma, ele desistiria e sairia em busca de outra refeição. O Ao Ao também teria a função de levar as crianças desobedientes para seu irmão, deus da morte e tudo relacionado a ela. É uma criatura da mitologia guarani, detentora do poder sobre a morte. Acredita-se que seja semelhante a um macaco de olhos vermelhos, com barbatanas de peixe e um enorme falo (de anta). Seu nome é derivado do nome de outra criatura mitológica, o lobisomem.
Tupã na língua tupi significa ‘trovão’, não sendo exatamente um deus, mas sim uma manifestação de um deus na forma do som do trovão.
Câmara Cascudo afirma que, na verdade o conceito "Tupã " já existia, não como divindade, mas como conotativo para o som do trovão (Tu-pá, Tu-pã ou Tu-pana, golpe/baque estrondeante), portanto, não passava de um efeito, cuja causa o índio desconhecia e, por isso mesmo temia.
"A despeito da singela idéia religiosa que os caracterizava, tinha noção de Ente Supremo, cuja voz se fazia ouvir nas tempestades – Tupã-cinunga ou "trovão", cujo reflexo luminoso era Tupãberaba, ou relâmpago",
Antes dos jesuítas catequizarem os índios, Tupã representava um alto divino, era o sopro, a vida, e o homem a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa.
21.1.10
cozinha da vó Maria
Na casa da vó Maria tinha uma cozinha muito especial, cheia de buracos, onde os adultos tomavam chimarrão e batiam papo até altas horas da madruga... só me lembro de adormecer ouvindo aquelas vozes familiares que me berçavam...
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